domingo, 28 de maio de 2017

Sua vida só muda, quando você decide mudar

Toda mudança nos desconcerta, dá medo, traz insegurança e angústia. Mas porque o ser humano é tão resistente às mudanças e por que relutamos tanto em sair da nossa velha e conhecida “zona de conforto”?

Justamente, por conta dessas duas palavras que usei na frase anterior: “velha e conhecida”.

Temos medo do novo porque é desconhecido, não sabemos como vai funcionar, no que vai resultar e como se colocar naquela determinada situação que poderemos vivenciar.

essa razão, preferimos, muitas vezes, continuar infelizes, vivendo e repetindo os mesmos padrões, porque já sabemos como nos comportar naquela situação, o que esperar como resultado, como lidar com tudo o que se desdobra dela.

E assim, vamos vivendo como coadjuvantes da nossa própria vida, esperando que algo espetacular nos aconteça para que aquilo tudo mude. Mas o que não entendemos é que nada de espetacular vai acontecer se não dermos o primeiro passo rumo a esse “espetacular”. Ou, em outras palavras, se você não ousar MUDAR! Olha a mudança aí de novo?!

Mudar exige coragem, exige superação, exige força! Isso mesmo! Força! Ou você acha que não fazemos um grande esforço interno quando tentamos quebrar a barreira daquele medo que sempre nos impediu de realizar aquilo que sonhamos? E não é um esforço qualquer, não! 

Arrisco dizer que é um dos esforços mais grandiosos que podemos fazer. Por que é o esforço de vencer a si mesmo! De encarar aquele medo que te paralisa e te mantém acomodado, fazendo-o seguir a vida que sonharam para você, mas que está cada dia mais distante daquilo que te completa e te faz feliz!

Mudar é romper as barreiras que te limitam de ser que você é, é atravessar oceanos de insegurança e cruzar abismos de imprevisibilidades. E aí, você vai me perguntar: mas o que tem de bom nisso, então, já que só levantou até agora pontos negativos? E aí eu vou te responder com outra pergunta: Que tipo de papel você quer assumir na vida: o de protagonista ou de coadjuvante?

Tudo é uma questão de escolha! E acredito que a maioria vai me responder de protagonista. Ninguém quer ficar em segundo plano ou ser preterido por  outro.

Mas o que você está fazendo hoje para assumir o protagonismo da sua vida?

Por que, a partir do momento que você aceita viver infeliz por medo de mudar, você está se colocando em segundo plano, automaticamente. Você está colocando os seus sonhos em segundo plano! E está longe de ser o papel de protagonista! Já parou para pensar nisso?

Então, se precisa fazer algo, comece a fazer algo! Toda mudança exige um ponto de partida!

Todo ponto de partida exige um movimento! Todo movimento é o primeiro passo que se dá na caminhada rumo à nossa meta. Cada passo dado nos coloca mais próximo do nosso ideal, mas, acima de tudo, fortalece-nos para que sejamos cada dia mais vencedores de nós mesmos.

TEXTO DE: Carolina Batista da Silva Perrota
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 31 de Maio de 2.017.
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SOMOS O QUE ESCOLHEMOS SER – SOBRE A GRATIDÃO. E OS NOSSOS PORQUÊS

É engraçado como, no embrulhar da rotina, na correria do dia a dia, na aparente imensidão dos nossos problemas cotidianos, na construção da falta e da necessidade de ter e de realizar grandes feitos o tempo todo, não conseguimos nos atentar para aquelas pequenas grandes coisas que nos acontecem de bom todos os dias. Coisas simples, às vezes bem simples mesmo, como o canto do passarinho, o desembrulhar de um sorriso sincero, uma palavra de conforto na hora certa, aquela música que a gente gosta tanto e que tocou no rádio, a comida gostosa que a gente pôde comer, o ônibus que não demorou a passar no ponto, a nota boa na prova, o pedido de desculpas que a gente nem esperava, o telefone que não estava ocupado quando a gente precisava falar, a dica bacana que alguém nos deu e que nos ajudou a resolver alguma coisa, encontrar o que tinha perdido depois de tanto procurar, encontrar o que tinha perdido sem ao menos ter procurado, aquele filme favorito passando na TV, aquela pessoa que a gente nem conhece, mas que esperou a gente entrar no elevador pra soltar a porta, ou que parou o carro pra gente atravessar a rua, ou que se ofereceu pra segurar a sacola pesada, ou que nos deu uma informação que a gente precisava, ou que nos ofereceu um copo d’água quando a gente estava morrendo de sede, ou que simplesmente sorriu e nos deu um bom-dia. O desconto que a gente ganhou na loja. O táxi que passou quando a gente precisava. O porteiro que recebeu a encomenda pra gente. O fato de a encomenda ter chegado sem nenhum problema. O dinheiro que a gente achou no bolso da calça. O almoço que pôde ser em casa. Um beijo de boa-noite. Um cafuné. Um carinho. A lambida do nosso cachorro. O sorriso dos nossos filhos. A luz do sol. A chuva depois da seca. As cores do arco-íris e do céu quando o sol se põe.

Você já percebeu o quanto é abençoado? O quanto tem motivos e mais motivos para agradecer todos os dias, não importa o que de ruim tenha te acontecido? Por que será que a gente só se lembra do ruim? Por que será que é tão mais fácil reclamar do que simplesmente agradecer? Por que será que temos uma tendência tão maior de conexão com a falta, com a escassez, com o que não deu certo, com o que não saiu do jeito que a gente esperava, com o que nos fez sofrer, do que com aquilo de bom que nos aconteceu, do que com a alegria, a abundância e a gratidão?

Estamos tão concentrados nas nossas faltas e nos acostumamos tanto a agradecer apenas o que julgamos ser grandioso e incrível que nos esquecemos de que grandiosas e incríveis são as nossas batalhas cotidianas, as pequenas grandes coisas da vida, os detalhes, as minúcias, as coisas que vêm passando batido diante dos nossos olhos tão viciados em só ver o que convém e só dar valor ao que pode ser mensurado.

Associamos conquistas a números, pessoas a estatísticas, sucesso a conta bancária e nos esquecemos de que, no fim da vida, serão as nossas histórias as nossas grandes lembranças, as nossas grandes heranças, os nossos grandes legados.

Quem fomos e, sobretudo, o que fizemos com a pessoa que éramos.

Na correria do dia a dia, pare um pouquinho, nem que seja por um minuto, para celebrar a vida e ser grato pelas coisas que te acontecem. Verdadeiramente.

Seja grato. Agradeça. Pratique a gratidão. Celebre a gratidão, mesmo em silêncio. Mesmo no seu silêncio.

Quanto mais você agradecer, mais a vida te proverá de pessoas, coisas e situações que estejam alinhadas com a energia do bem e do amor que você emana a cada vez que simplesmente agradece por algo que te aconteceu.

Sabe, às vezes vão acontecer coisas ruins e tristes, sim. Coisas que podem te magoar, te ferir, te fazer sofrer. E, então, diante de todo o “mal” e de toda a dor, você poderá se questionar: que tipo de gratidão é essa? Há mesmo motivos para ser grato quando tudo parece injusto e cruel demais?

Nessas horas, lembra disso aqui: tudo passa. E só a constatação de que não há dor que seja eterna já vai ser motivo de gratidão.

Tudo o que nos acontece tem um motivo e uma razão de ser. E esse motivo, acredite, é sempre para o nosso bem. O Universo não é injusto nem cruel. O Universo é criação de amor. E o amor não destrói, o amor constrói.

A cada dia da sua vida, a cada novo segundo da sua respiração, surge uma nova oportunidade de recomeçar e simplesmente ser grato a tudo o que te acontece.

Nós somos o que escolhemos ser.

Escolha ser grato.

E seja.

TEXTO DE: Ana Paula Ramos
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 30 de Maio de 2.017.
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Os espelhos...

Sabe aquela pessoa que te incomoda?

Que tem atitudes que você simplesmente acha horrível e diz que nunca faria igual?

Pois é, eu lhe digo: estas pessoas são seus espelhos!!! Sim, espelhos! Elas refletem algo que existe dentro de você.

“Imagina! Eu não sou parecida com ela(e)…de jeito nenhum!”. É o que você, provavelmente, pensará ao ler isso.

Tentarei explicar: todos nós alimentamos, dentro da gente, diversos sentimentos: amor, raiva, insegurança, medo, alegria, compaixão, fraternidade, carência… Sejam bons ou ruins, lidamos com eles todos os dias e em todos os momentos, porque eles existem dentro de nós.

Quando olhamos para uma pessoa e reconhecemos uma qualidade ou um defeito, é porque ele existe em nós. Se não soubermos que cor é o magenta, não a reconheceremos, não é verdade?! Sigam esta mesma lógica para compreender os espelhos que as pessoas nos são: se eu não sei o que é egoísmo, não posso identificá-lo em lugar algum, porém, se eu sei o que é carência, sou capaz de reconhecê-la em todos que a alimentam.

Muitas vezes escondemos as nossas fraquezas, os nossos defeitos no mais profundo de nosso ser e somos capazes de reconhecê-los quando os identificamos nas pessoas que nos cercam. O Universo (ou Deus, como quiserem) foi extremamente generoso quando “criou” este mecanismo. Sabendo que o nosso ego não sabe lidar com os pontos fracos e os abafaria, nos deu a oportunidade de nos incomodarmos com os outros, justamente com aquelas características que temos que trabalhar.

“Então, se aquela colega de trabalho ou tia distante vive me chamando, falando de assuntos que não lhes dizem respeito só para ter sua atenção e isso me incomoda, significa que eu também sou assim?”

Pode ser, como pode não ser também. É preciso nesse momento entender o que eu chamo de “conceito dos dois extremos”. Vamos a um exemplo.Você é uma pessoa que está com problemas financeiros, cheia de contas atrasadas para serem pagas. Você reclama, diz que não tem dinheiro, que ganha pouco, que não é o suficiente…

Primeiro: neste momento você se esqueceu de que “o que falamos e pensamos, atraímos!” e, segundo: você está vibrando pobreza e dificuldades… A corda da abundância é exatamente a mesma corda da falta de prosperidade; essas características, porém, se encontram nos dois extremos opostos, mas tem como base a mesma raiz, cabe a você  decidir em qual lado da corda você vai estar.

Voltando na colega que queria chamar atenção: você pode não ser um mico de circo como esta sua conhecida, mas tente entender o que está por trás daquela atitude… Amplie a sua visão. Em uma mesma corda, se ela é ‘o show em pessoa’ e, você, ‘ relativamente reservada’, vocês duas podem alimentar dentro de vocês algo chamado insegurança, porém, por estarem cada uma em uma ponta da corda, manifestam de maneira diferente. Enquanto você se apresenta séria e contida, você pode estar insegura quanto a opinião dos outros em relação a você: suas decisões, escolhas… já sua colega, sempre falando e bancando a ‘aparecida’, também está insegura com a opinião dos outros e, por isso, tenta ser o mais simpática possível e agradar a todos em todos os momentos.

Vocês compreenderam?

Digo isso, meus queridos, para que comecemos o nosso tão importante trabalho do não-julgamento. Quando julgamos alguém, estamos julgando a nós mesmos. Permita que suas fraquezas venham à tona para que você possa trabalhá-las.

Porém, é preciso equilíbrio ao analisar os defeitos dos outros, pois há uma diferença entre o que te incomoda e o que você simplesmente não concorda: não é porque você é contra a atitude de um corrupto que dentro de você esse desejo é alimentado. Tenha sabedoria para reconhecer os defeitos que o seu ego soterrou… Pense sempre naquilo que te causa incômodo, o que te tira do sério.

A partir daí, as ‘falhas’ vão sendo corrigidas uma a uma e mais espaço vai se abrindo para receber o bem e a luz.

TEXTO DE: Cíntia Michepud
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 29 de Maio de 2.017.
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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Porque o amor que damos e recebemos é a única coisa que importa

Estive pensando, caminhando sobre folhas secas e pensando sobre nós e a eternidade.

Impossível não se questionar, não imaginar, não sentir um pouquinho de medo e insegurança, diante da maior e mais complexa de todas as perguntas: quando as cortinas desse espetáculo chamado vida, fecharem-se, o que fica?

E se não fica, vai para onde?

Para ser sincera, não creio que essas respostas importem, tampouco façam alguma diferença, porque o tempo que passei preocupando-me com o futuro, eu perdi segundos preciosos em que poderia estar amando.

Sim, porque o amor que damos e recebemos é a única coisa que importa. 
Mesmo depois da morte, a única lembrança que jamais se perde na eternidade é o amor, porque o sofrimento desaparece mas o amor, ah, o amor sempre permanece.

Então façamos hoje, o que será lembrado com carinho amanhã.

Que a gente aprenda a tocar a vida do outro com respeito. Não imponha suas crenças, suas próprias regras e filosofia de vida. Somos livres, conquistamos essa liberdade através do filho do criador, então, ainda que não concorde, não acredite ou não aceite algo ou alguém, aprenda a respeitar as escolhas e a amar, incondicionalmente. Ame a vida, ame viver, ame ao próximo, porque você também é o próximo de alguém, e o que não deseja para Sua vida, não faça a ninguém.

No final de tudo, o que fica é o amor que damos ou não damos, então, sempre que puder, derrame amor, espalhe luz, transmita a energia que gostaria de receber, distribua sorrisos que o encantariam  ver estampados em rostos desconhecidos em meio à multidão.

Fazemos escolhas a todo momento, escolhas que definem como serão os próximos minutos de nossa vida, ou quem sabe os próximos anos, então, nesse segundo, feche os olhos e ame, ame tudo, inclusive a dor; a sua dor, é apenas um dos degraus que te levarão ao ponto mais alto do paraíso onde você vai passar sua eternidade, lamentando-se por tudo o que não fez, ou simplesmente agradecendo por ter sido todo amor que um dia você desejou receber.

Gratidão, paz, luz e amor, é o que te desejo hoje e sempre.

TEXTO DE: Wandy Luz
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 27 de Maio de 2.017.
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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Cada um anda como quer e como se sente bem!

Andar simples não significa não ter educação, classe, modos e jeito no tratar as pessoas. Cada uma anda como quer e como se sente bem!

Um dia, eu entrei em uma loja e só porque estava vestida de um jeito simples, não me deram muita atenção.

Estava com roupa de ginástica e, sinceramente, gosto de andar como eu me sinto bem.

Esse negócio de encher o guarda-roupas com as roupas da moda ou dos padrões que devem ser seguidos nunca foi muito comigo. 

Como diz o programa do GNT - Menos é demais.

Cada uma anda como quer e como se sente bem.

O preconceito ainda continua estampado no olhar de muita gente que se acha.

Na verdade, eu não acho nada e não estou nem aí.

Andar simples não significa não ter educação, classe, modos e jeito no tratar as pessoas.

Aliás, conheço gente muito mais bem educada por aí que não liga para um tostão sequer.

Gente que te aceita e não fica computando sua conta no banco, se você tem carro ou se já fez várias viagens ao exterior.

Muita gente anda falida.  Já perdeu o valor e se sujeita a aceitar algumas migalhas que outros oferecem só para saciar sua necessidade de se sentir alguém superior.

O que vejo é muita gente de nariz em pé, achando-se o dono da cocada, só porque acha que tem alguma coisa a mais.

Aposto que não tem um centavo de humildade no bolso, aposto que não tem um centavo de respeito pelas pessoas.

Voltando ao assunto da loja, entrei e fui dar um espiadinha nas roupas como faço. Muitas vezes não compro nada. Nada me atrai. Gosto de entrar e olhar.

Qual o problema?

Foi quando a atendente olhou-me de cima a baixo e perguntou: você vai levar alguma coisa? Minha resposta foi: se eu quiser, sim, se não quiser, não. Dei-lhe as costas educadamente agradeci e sai.

Tem coisas que a gente não precisa. Tem gente supérflua demais. Tem gente sem coração, sem visão, sem perspectiva.

Dinheiro não compra paz, felicidade. E na minha modéstia eu prefiro um pão na chapa e um café no copo a uma mesa cheia de talheres e taças para me servir. O que importa é ter modos, decência, respeito e solicitude.

Certa vez ao passar na rua eu me deparei com várias crianças vendendo pano de prato. Crianças lindas!

Sentei-me ao lado de uma delas e perguntei de onde
ele vinha. Um menino loiro de olhos verdes lindos como um raio de sol. Estava mal vestido e descalço. O rosto sujo. Ele me disse que veio de outra cidade e que precisavam de dinheiro para poder voltar pra lá. 

Mas, se eu não pudesse dar dinheiro, que ao menos lhe desse um prato de comida. Foi o que fiz. Levei comida a todos e sentei-me ao lado deles como quem conversa não com estranhos, mas com seres humanos que passam por muitas dificuldades.

Então, não me venham com pose, com achismos, com o rei na barriga.

A vida dá muitas voltas. Prefiro manter meu olhar de interesse a quem realmente precisa. Sou feliz assim.

TEXTO DE: Sil Guidorizzi
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 26 de Maio de 2.017.
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

As Crises Nos Acordam Para As Coisas Boas Que Não Percebemos

Saramago costumava dizer que o destino tem que dar muitos rodeios antes de chegar a qualquer parte. Ou seja, a vida tem seus próprios caminhos, coisas que não controlamos, suas ironias, suas voltas, de modo que sempre haverá o inesperado e dificuldades para enfrentar. Sempre haverá desilusões, quedas e ultrapassagens. No entanto, ainda que os momentos de crise sejam horríveis, eles podem significar um despertar, pois como diz Sean (Robin Williams) no filme Gênio Indomável: "As crises nos acordam para as coisas boas que não percebemos".

Não há como escapar, todos nós um dia passaremos por um momento que colocará o nosso emocional no chão, a mente perturbada, cercados de desilusão e desespero. Não há como escapar porque "A vida não te dá traves de proteção" e a dor e o sofrimento são inerentes à vida, assim como o amor e a alegria.

Embora não haja como escapar, no meio da dor parece que percebemos quem somos de fato e o que queremos da vida. Sem pressões externas, sem a sociedade, é apenas o eu e o mim dialogando e, assim, conseguimos enxergar sem máscaras a constituição do nosso ser e o que ele grita desesperadamente para fazermos. Por isso, as crises nos acordam para o que não percebemos, porque elas nos acordam da vida, muitas vezes, no controle remoto, fazendo-nos enxergar aquilo que na trivialidade do cotidiano deixamos passar, enquanto fingimos estar tudo bem.

Como disse, ninguém quer sofrer e não acredito que fomos feitos para isso. Todavia, nos momentos de tensão surgem coisas maravilhosas, a meu ver, porque nesses momentos permitimos estar mais próximos do que realmente somos. Dessa maneira, as crises podem nos levar a um processo de autoconhecimento e, por conseguinte, de maior felicidade, já que ninguém é verdadeiramente feliz sendo um forasteiro de si próprio.

As crises nos mostram que podemos mudar, que não devemos nos acostumar, que há sempre algo a fazer com o que a vida fez conosco. Da mesma forma que nos faz perceber o que realmente nos faz feliz, nos mostra que devemos valorizar as pessoas que em momento algum largam a nossa mão, e faz com que o nosso olhar possua mais doçura para enxergar as belezas que explodem aos nossos olhos, mas não somos capazes de perceber.

Rubem Alves certa feita disse que foram as desilusões que o levaram a ultrapassagens, isto é, sem as desilusões que sofrera, ele jamais seria o Rubem que conhecemos. Concordo plenamente com ele, pois sei que sem as minhas crises, eu jamais seria quem sou hoje. Sei também o quão doloroso é esse processo, mas sei que de muitas dores vem a alegria, como a mulher que sente a dor do parto, mas se regozija com a beleza da vida. As nossas crises são como um parto. É necessário enfrentá-las se quisermos renascer, já que lembrando mais uma vez Rubem Alves: "Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses".

TEXTO DE: Erick Morais 
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 25 de Maio de 2.017.
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terça-feira, 23 de maio de 2017

Quebrar a cara também é descobrir o mundo

Sempre haverá algo que passará do nosso olhar e ouvidos, de forma que ao nos depararmos com aquela situação outrora evidenciada, agiremos de modo errado e, então, inevitavelmente quebraremos a cara.

Pablo Neruda diz em um dos seus versos que: "Você pode cortar todas as flores, mas não pode impedir que a primavera chegue". O poeta está correto, há coisas que não podem ser evitadas por mais que você se prepare ou faça de tudo para que não aconteça.

Isso ocorre pelo fato da vida não ser uma estrada retilínea, mas antes, uma estrada sinuosa, cheia de curvas perigosas e imprevisíveis, e por mais que alguém te diga exatamente como proceder, em determinado tempo e espaço do caminho, algumas coisas só são aprendidas quando vivenciamos a experiência, por mais dolorosa que esta seja.

Não sou adepto da ideia de que só se aprende com a dor. O amor, a meu ver, ainda é e será o maior dos professores. Entretanto, não há como negar que ela nos ensina muitas coisas, aliás, como disse, parece que só conseguimos aprender certas coisas por meio da dor, do sofrimento, do fracasso, da derrota.

Em outras palavras, só aprendemos algumas coisas quando quebramos a cara. Não adianta, algumas coisas não entram na nossa cabeça até passarmos pessoalmente por determinadas experiências. Podemos ser alertados, inclusive e de maneira geral, por pessoas mais sábias e experientes; podemos ouvir histórias, relatos de situações verídicas, ensinamentos sobre a vida de modo amplo e em pontos bem específicos, mas, por mais abertos e compreensivos que sejamos, sempre haverá algo que passará do nosso olhar e ouvidos, de forma que ao nos depararmos com aquela situação outrora evidenciada, agiremos de modo errado e, então, inevitavelmente quebraremos a cara.

Podemos relacionar esses acontecimentos exclusivamente ao período da adolescência, mas estaríamos errados. Embora, de fato, seja nessa fase, em que o "dane-se" está ligado para tudo, que quebremos mais a cara e até por isso mesmo ela esteja relacionada ao amadurecimento; o "quebrar a cara" ocorre por toda a vida, já que ninguém conhece esta em todos os seus aspectos a ponto de nunca errar.

Ainda que "quebrar a cara", "se dar mal", traga dores, sofrimento, decepções, frustrações, etc., é preciso entender que isso é algo que faz parte da descoberta da vida.

É necessário sair, se arriscar, fazer suas próprias escolhas, viver suas próprias experiências, seus próprios relacionamentos, mesmo que vez ou outra nos machuquemos por algum motivo. Se fechar em relação ao mundo só nos torna ainda mais estranhos a ele.

É claro que, da mesma maneira que é preciso "cair no mundo", também é necessário ouvir, sobretudo, quem tem algo para contar e se preocupa com o nosso crescimento. Todavia, os nossos sentidos dependem da experiência real para que certas coisas sejam apreendidas e isso não é algo ruim, mesmo que no fim estejamos cheios de feridas e arranhões.

Somos recortes de tudo que vivemos, inclusive, as experiências e vivencias nem tão boas ou dolorosas.

O importante é o que conseguimos aprender com a cara quebrada, pois como disse Sartre - "Viver é isso: ficar se equilibrando o tempo todo, entre escolhas e consequências" - e em cada um de nós, por mais medo que se sinta e histórias que se escute, sempre há um desejo de rua e de queimar o pé no asfalto, porque quebrar a cara também é descobrir o mundo.

TEXTO DE: Erick Morais 
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 24 de Maio de 2.017.
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